É a educação, estúpido!
Fonte: ANDIFES
Folha de S. Paulo - Eliane Cantanhêde
BRASÍLIA - Ok, o Brasil caminha para ser
a quinta economia, depois de ultrapassar a França. Mas convém conter a
euforia, como mostram duas reportagens do domingo.
Folha: "Brasil
é o país que menos cresce na América do Sul". O "pibinho" de 2,7% em
2011 não é só menor do que a média de toda a América Latina (em torno de
4%), mas também menor do que o crescimento do PIB na Argentina, no
Chile, na Venezuela, no Peru, na Bolívia. Sem falar em outros países
emergentes, particularmente China e Índia.
Entre os motivos para
esse desempenho pífio, segundo os analistas, estão a questão pontual do
combate à inflação e a questão estrutural da defasagem de investimentos.
Aí
entra a reportagem do jornal "O Globo", comparando 17 países da região:
"Brasil, um dos últimos da AL em trabalho produtivo". Ou seja, o
quociente entre bens e serviços produzidos no país e o pessoal ocupado
mostra que a produtividade do trabalhador brasileiro é muito baixa
diante, novamente, de Argentina, Chile, Venezuela e por aí afora.
O
Brasil, pois, é tratado como um sucesso, mas ainda falta muito para ser
realmente um sucesso. Falta investir com energia em infraestrutura e em
produtos de valor agregado e, sobretudo, falta tratar a educação como
prioridade das prioridades.
Presidentes, governadores e
prefeitos, todo político capricha na defesa da educação -sobretudo
durante as eleições-, mas a realidade é bem diferente. E resistente.
Folha
de ontem: "Gasto com servidores põe Estados em alerta". O pagamento do
funcionalismo e da burocracia cresce mais do que a arrecadação em 16
Estados (e no DF) e quase tanto na maioria. E daí? Daí não sobra
dinheiro para investimento e nem mesmo para um piso nacional decente
para os professores.
Sem professor, não há educação. Sem educação, não há produtividade. Sem produtividade, não há crescimento. Fica só o oba-oba.
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