Educação básica
Em São Paulo, ministro da Educação diz que proposta está em discussão com secretarias estaduais
Aloizio Mercadante, ministro da Educação, promete plano para o ensino médio
(Valter Campanato/ABr)
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, prometeu nesta
segunda-feira apresentar até o início de abril uma proposta de
reformulação do currículo do ensino médio brasileiro. Segundo ele, o
plano já está sendo debatido com as secretarias estaduais de Educação. O
ciclo final da educação básica de fato precisa de um sério ajuste, como
apontam educadores e também
indicadores de ensino.
De acordo com Mercadante, a ideia é que o novo currículo seja guiado pelo
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Os alunos hoje sonham com o Enem, que cobra quatro grandes áreas (
matemática, língua portuguesa, ciências humanas e da natureza).
Temos que reforçá-las", disse o ministro, que nesta tarde participou de
uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo.
A reformulação deverá ocorrer nos moldes do
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa,
que estabelece que toda criança deve saber ler e escrever até os 8 anos
de idade, uma colaboração entre o MEC e as secretarias estaduais. "O
ensino medio é responsablidade dos estados. Depende deles que as
mudanças propostas sejam aceitas."
Uma das mudanças a serem propostas, segundo Mecadante, é a
flexibilização dos currículos. Cada estudante teria autonomia para
escolher disciplinas para sua grade nos três anos de ensino médio. Isso
possibilitaria, por exemplo, aumentar a ênfase do curso em áreas como
humanas, exatas e biológicas. O ministro voltou a falar também sobre a
distribuição de tablets aos professores, sem, no entanto, detalhar o
plano de capacitação dos docentes.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostra que o
ensino médio vai muito mal no Brasil. Em uma escala de 0 a 10, a média
dos alunos do ciclo em 2011 foi de 3,7 — apenas 0,1 ponto acima da
medição de 2009. Em
nove estados houve regressão.
Na última semana, a ONG Todos Pela Educação divulgou outro dado preocupante. Segundo levantamento realizado pela instituição,
apenas 10,7% dos estudantes
do 3º ano do ensino médio dominavam os conhecimentos esperados em
matemática em 2011. E pior: o número é inferior ao da medição anterior,
realizada em 2009.
Cotas — Mercadante aproveitou a visita para criticar o projeto de cotas em estudo pelas universidades públicas paulistas, batizado
Programa de Inclusão por Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp),
que pretende reservar 50% das vagas a estudantes do ensino médio
público de São Paulo. A partir da nota do Enem ou do Saresp (Sistema de
Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), alunos da rede
seriam admitidos em um "college", um curso de dois anos de preparação:
uma vez aprovados, teriam acesso às universidades.
Para Mercadante, o sistema segrega os estudantes e prolonga em dois
anos a sua formação no ensino superior. "Esse curso de dois anos não
promove a inclusão e deixa os estudantes apartados dos demais. Além
disso, um curso superior que inicilamente seria de quatro anos passa a
durar seis", disse. Especialistas, no entanto, discordam. "É uma
inovação. Esse plano não abaixa a cerca. Ensina o aluno a pular mais
alto",
afirma Cláudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA.
Fonte:Lecticia Maggi
Comentários
Postar um comentário