A
qualidade do Ensino Fundamental no Grande ABC, que é de
responsabilidade do Estado, piorou entre 2011 e 2012. É o que revela o
resultado do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de
São Paulo), divulgado
pela Secretaria de Estado da Educação. Quatro dos sete municípios
apresentaram desempenho inferior ao registrado no ano anterior quando
analisados os estudantes do 9º ano.
O indicador existe desde 2007 e
atribui nota de zero a 10 às escolas com base no desempenho do Saresp
(Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar) - que mede conhecimentos
em Português e Matemática - e aspectos como frequência e evasão. Na
região, foram avaliados alunos de 327 escolas, algumas em mais de um
ciclo (confira as médias da cidades nas tabelas abaixo).
Das 240 unidades escolares que oferecem os
anos finais do Ensino Fundamental, apenas 29% atingiram a meta proposta
pelo Idesp para 2012. Houve piora nos índices de Santo André, São
Bernardo, São Caetano e Mauá.
Além disso, quatro municípios - Santo André, Diadema, Mauá e Rio
Grande - não alcançaram a média estadual (2,57). O desempenho regional
segue tendência do Estado, onde o índice do 9º ano caiu para 2,50 em
2012.
Em contrapartida, houve
melhora no desempenho do 5º ano do Ensino Fundamental entre três das
cinco cidades avaliadas. Entre as 126 escolas de 5º ano, 47% tiveram
desempenho igual ou superior à meta traçada. Neste caso, São Bernardo e
São Caetano - onde 100% das escolas do 1º ao 5º ano do Fundamental foram
municipalizadas - não aparecem no índice, tendo em vista que a
participação no Saresp é opcional.
Já os números do Ensino Médio são os
melhores e também acompanham tendência estadual. Neste caso, todas as
cidades superaram suas metas. Das 180 unidades que tiveram o 3º ano
avaliado, 56% tiveram desempenho satisfatório e apenas três cidades
ficaram com índices abaixo da média estadual - Diadema, Mauá e Rio
Grande da Serra (confira ranking das escolas ao lado).
Apesar de ter sido criado para servir como
termômetro da Educação e nortear políticas que possam melhorar a
qualidade do ensino, o Idesp tem mostrado que o desempenho dos alunos
nos anos finais do Fundamental e Ensino Médio está abaixo do esperado.
Essa é uma das percepções do professor da Faculdade de Educação da USP
(Universidade de São Paulo) Ocimar Alavarse. "Ao longo da escolarização
estamos aprovando menos e tendo ganhos menores do que o esperado",
destaca.
Entre as hipóteses cogitadas pelo
especialista para o desempenho abaixo da meta no ensino estadual está a
organização escolar. "Quando o aluno vai para os anos finais do
Fundamental ele passa a ter oito professores em vez de um. Isso
dificulta o acompanhamento do aluno porque são muitas turmas e
docentes", diz.
Outra possível explicação para os resultados
é o desacordo entre o material didático do professor e a maneira como a
avaliação estadual cobra os conteúdos, segundo Alavarse.
Estado projeta estudo para apurar falhas no sistema
Em resposta ao desempenho das
escolas da rede estadual em 2012 no Idesp, o Estado fará estudo para
avaliar os motivos dos índices obtidos na avaliação e no Saresp. O
objetivo é encontrar maneiras de intensificar as ações pedagógicas a fim de melhorar o desempenho dos estudantes.
A expectativa da Secretaria da Educação é de
que os indicadores melhorem com a ampliação da Avaliação da
Aprendizagem em Processo. Ampliada neste ano para todos os anos finais
(6º ao 9º ano) do Ensino Fundamental e para as três séries do Ensino
Médio, o procedimento pedagógico tem como objetivo diagnosticar os
alunos em Língua Portuguesa e Matemática para identificar eventuais
dificuldades de aprendizado e agir pontualmente para resolvê-las.
Os resultados da avaliação em processo
também são ferramentas para nortear a recuperação do aprendizado por
meio da atuação dos professores-auxiliares, que podem dar suporte aos
docentes titulares na assistência a alunos dos ensinos Fundamental e
Médio, em uma modalidade contínua de recuperação.
PROBLEMAS
Para representantes da Apeoesp (Sindicato
dos Professores do Ensino Oficial do Estado), é preciso discutir desde o
currículo acadêmico, plano de carreira para professores e melhor
infraestrutura das unidades.
"Os professores são heróis diante dos
recursos oferecidos pelo Estado em sala de aula", observa a coordenadora
da Apeoesp em São Caetano, Vera Severiano. Segundo ela, os docentes
carecem de melhor formação para estarem atualizados e motivados.
Outra percepção é a necessidade de a
comunidade participar do processo de escolarização dos alunos. "O Estado
está preocupado com resultados estatísticos e não sociais", considera
Vera.
Fonte:
Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC
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