Software que usa inteligência artificial para avaliar redações e respostas discursivas gera polêmica no ensino norte-americano
Mas os críticos argumentam que o sistema automatizado não substitui a tradicional figura dos professores
Imagine fazer uma prova e receber imediatamente o resultado tendo o
trabalho corrigido por um software de computador. Pois essa é a proposta
da
EdX, uma empresa fundada pela
Universidade de Harvard e o
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
para oferecer cursos pela internet. Ela acaba de lançar um sistema, que
estará disponível gratuitamente na web para qualquer instituição que
tenha o interesse em usar. O software usa inteligência artificial para
avaliar redações e respostas discursivas, deixando muitos educadores
preocupados com tipo de correção.
Segundo informações do jornal O Globo, o novo serviço é mais um tópico
entre as discussões sobre o papel da tecnologia na educação. Ainda que
sistemas automáticos de correção para testes de múltipla escolha sejam
comuns, o uso de inteligência artificial para avaliar respostas
discursivas ainda não recebeu o apoio de muitos educadores e está
sujeito a críticas.
O engenheiro elétrico Anant Agarwal, presidente da
EdX,
acredita que o software de correção instantânea seja uma ferramenta
pedagógica bastante útil, pois permite que os estudantes façam e refaçam
testes e redações para melhorar o seu desempenho. Agarwal explica que a
tecnologia oferece vantagens distintas sobre o sistema tradicional das
salas de aula, em que os alunos esperam dias ou até semanas para
receberem suas notas.
Mas os críticos argumentam que o sistema automatizado não substitui a
tradicional figura dos professores. Um dos seus opositores mais antigos,
o pesquisador do MIT,
Les Perelman chamou a atenção
dos Estados Unidos ao mostrar que redações sem sentido enganaram
softwares do tipo e receberam notas altas. Ele também tem criticado
estudos que se propõem a dizer que as máquinas podem corrigir tão bem
quando seres humanos.
Perelman está entre o grupo de educadores que lançou, no mês passado,
uma petição contra o sistema de correção automática. O grupo, denominado
“Profissionais Contra Máquinas que Corrigem Trabalhos de Estudantes em
Avaliações de Alto Risco”, já recolheu quase duas mil assinaturas para
impedir a instalação dos novos recursos.
A EdX espera que seu software seja amplamente adotado por escolas e
universidades. A empresa oferece gratuitamente aulas online de Harvard,
do MIT e da
Universidade de Berkeley. Este ano, serão incluídas aulas de Wllesley, Georgetown e da
Universidade do Texas.
Ao todo, 12 universidades são parceiras da EdX, que oferece
certificados de conclusão de curso a já afirmou que planeja continuar
sua expansão no ano que vem, incluindo escolas internacionais.
Para funcionar, a ferramenta desenvolvida pela empresa precisa que um
professor avalie as primeiras 100 redações ou provas. Então, o sistema
usa uma variedade de técnicas para “aprender” e é treinado para avaliar
os trabalhos automaticamente e quase que instantaneamente.
O programa determina uma nota a partir do sistema de avaliação
desenvolvido pelo professor, seja ele feito por letras ou por um ranking
numérico. Ele também oferece um comentário geral, dizendo, por exemplo,
se a resposta do aluno estava dentro dos tópicos necessários ou não.
Fonte: UNI>ERSIA
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