
PENSAR GRANDE COM PEQUENAS AÇÕES
Um relato sobre educação, resistência pedagógica e o valor das pequenas conquistas
Por Prof. Gílberte
Tenho um defeito curioso: não sigo conselhos. Muito menos advertências. Talvez, se seguisse, este texto jamais existiria.
Sou um aprendiz incorrigível. E é justamente nessa inquietação que encontro uma das maiores alegrias da minha trajetória como professor.
Não me encanto com os “experientes” que dizem saber tudo, nem sigo cegamente teorias revolucionárias sobre a língua escrita.
Mas há vozes que eu escuto: as dos meus alunos. Principalmente daqueles que os números chamam de “medíocres”. Talvez porque um dia eu também tenha sido um deles.
Se há algo que me impressiona são as árvores. Mesmo com pressa, paro para observar um flamboyant, uma cerejeira ou uma jabuticabeira. Uma semente tão pequena criando algo tão grandioso.
Sempre quis ter uma floresta. Mas nunca tive um latifúndio.
Então criei minha própria floresta em pequenos vasos: meus bonsais.
Passo horas cuidando. E quando surge uma flor, a felicidade é imensa.
Minha pitangueira, com apenas 15 centímetros, já produziu mais de 12 frutos.
Pequena para alguns. Gigante para mim.
E o que isso tem a ver com o começo?
Tudo.
Para muitos, minha pitangueira é insignificante. Para outros, deveria produzir mais. E muitos nem perceberiam sua existência.
Por isso, teorias importadas pouco me impressionam. Prefiro a prática viva, inspirada na realidade dos alunos.
Por isso afirmo: o PNAIC pode ser mais um elefante branco, consumindo recursos e entregando pouco resultado.
Não tenho o orçamento do MEC. Mas tenho alunos reais.
E sei que suas dificuldades não são culpa dos professores.
Criei pequenas atividades — simples como bonsais — mas que despertam interesse e vontade de aprender.
Sei que seriam criticadas por especialistas. Mas os resultados aparecem.
Talvez não impressionem a todos. Mas fazem diferença para quem aprende.
Para meus alunos. E para mim.
Quero compartilhar essas ideias. Que cada professor cultive seu próprio caminho.
Apenas peço respeito à autoria.
Daqui a alguns anos, muitos professores estarão mais preparados.
Mas os alunos que ficaram para trás… continuarão lá.
Porque nunca fizeram parte, de fato, desse pacto.
Prof. Gílberte
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