
Missão da Omissão
Prof. Gilberte
Esta poesia foi escrita especialmente para famílias e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
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É segredo que meu medo ensinou a praticar.
A mão registra o verbo que a boca fez calar.
Escrever é o que aplaca incômodo tormento:
não faz regurgitar, não digere… mas fere.
Pulmões inflados, condenados pelo fermento.
Sou somente um caniço oco a balançar.
O vento da dicotomia pode me vergar,
mas a união faz da curvatura me livrar.
É grande o vazio passado…
Passivo impossível de ser completado.
E o que está vazio deve ser terminado?
Não! Porque há vácuo a ser deixado —
será por abutres avidamente disputado.
Angústia é energia para astúcia.
Falta tempo — não podem me ouvir.
A opção pela ilusão da pelúcia…
Omissão é ocultável: suave persuadir.
É necessário conter a fúria da corrente,
tornar-se-á energia incandescente.
Sentimento que magoa é o que se sente;
o melhor da verdade é o que se mente.
O triste de ser real é o fato de ser contente.
A paz do acomodar é guerra a me incomodar.
O mundo deve adormecer calado —
eu quero acordá-lo com grito entusiasmado!
Perdoe-me se sou inconsequente:
é por serem as consequências incoerentes.
Não me condene por incoerências —
são consequências coerentes da consciência.
Querem a prisão da expressão,
que eu morra sem inspiração…
Mas sou vivo: pura transpiração.
Tome deste cálice até ficar saciado.
Se não és o alvo atingido,
por que estás incomodado?
E, se for atingido, continue calado!
Os mártires voluntários que sejam executados.
Gritar protestos é para loucos —
exclua de ti e viva privilegiado.
Dorme, poeta tolo e solitário:
seus pares não lhe são solidários.
Recue! Melhor a derrota da batalha
do que ter cravada na carne a navalha.
Finda a guerra, és tu o único canalha,
aquele que tua classe enxovalha.
Ao se calar, irão te perdoar…
Aspiram pelo silêncio — por que gritar?
✍️ Texto originalmente escrito em 2019 e que continua extremamente atual.

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